Cerejas

Silêncio

A Câmara Municipal está tratando de abolir os barulhos harmoniosos da cidade: os auto-falantes e as vitrolas. [...]
Gosto daqueles móveis melódicos e daquelas cornetas altíssonas. Fazem bem aos nervos. A gente anda, pelo centro, com os ouvidos cheios de algarismos, de cotações da bolsa de café, de câmbio, de duplicatas, de concordatas, de "cantatas", de negociatas e outras cousas chatas. De repente, passa pela porta aberta de uma dessas lojas sonoras e recebe em cheio, em plena trompa de Eustáquio, uma lufada sinfônica, repousante de sonho [...] E a gente pára um pouco nesse halo de encantado devaneio, nesse nimbo embalador de música, até que a altíssima farda azul marinho venha grasnar aquele horroroso "Faz favorrr, senhorrr!", que vem fazer a gente circular, que vem repor a gente na odiosa, geométrica, invariável realidade do Triângulo - isto é, da vida."
Urbano (Guilherme de Almeida), 1927.

31 de julho de 2014

Pobre MPB rica

A MPB está pobre, diz Mônica Salmaso [entrevista em O Globo, aqui]


A música popular brasileira hoje está pobre e nivelada por baixo. Pobre de assunto, de letra, de melodia, de harmonia, de arranjo. É aquilo que a indústria, em crise, tentando sobreviver ao naufrágio, produz. É feio. Não é dessa água que a gente vai beber. Não é que as cantoras ou os cantores vão mal, mas é um cenário que não incentiva a busca do conhecimento, da qualidade ou da consciência do que você faz — lamenta.


Entendo que quando ela diz isso os ouvidos dela estejam por demais voltados para os veículos tradicionais, rádio, tv, e o mainstream da indústria fonográfica. Se cabe ponderar que a MPB feita atualmente não se resume ao que ressaltam esses meios, de outro lado é uma fala sintomática que corrobora tantas outras na detecção dessa quebra da correia de transmissão que um dia ligou o que de mais inventivo era realizado em nossa música popular a um público amplo, que acessa esses veículos. Precisamos sim reconstruir esses vasos comunicantes entre o manancial de composições de altíssimo nível e o ouvinte de música popular para além de pequenos círculos.

Ainda não ouvi o disco novo dela todo, e por mais que goste da Salmaso e seja grande admirador tanto do Guinga quando do PC Pinheiro ainda é muito cedo pra dizer que importância tem ou não. Tem outra coisa, por experiência própria sei como lamentavelmente jornalistas e editores são bem capazes de pinçar certas coisas numa fala bem mais contextualizada e apresentá-las de modo que venda e repercuta, independente de serem a expressão correta do que a pessoa falou. Enfim, continuo achando que ela abordou o cenário maior, o mainstream mesmo, mas sendo assim espero que ela se manifeste para deixar mais claro o que disse. Com as redes sociais é possível ir além da superficialidade desses jornais de sempre.

Enquanto isso, não seria desvario sonhar que essa fala da Mônica seja retrucada com ofertas e sugestões que a animem a fruir com um pouco mais de delonga e paciência o que anda tocando nos eldorados subterrâneos digitais. Me parece que nas entrelinhas fica visível que ela não tem lá grande familiaridade com o meio em questão. Eu diria que, a essa altura, se quiser ser uma grande intérprete da música brasileira de hoje - e ela pode sê-lo - ela terá que se familiarizar ou buscar auxílio para tanto. Sem romantismo algum vamos ter que considerar que "garimpar" repertório é algo que mudou de figura com tantas plataformas eletrônicas que permitem que excelentes compositores possam, passando ao largo da lógica carcomida da indústria do disco, lançar ao léu e ao mar digital seus trabalhos para deleite dos argonautas dos oceanos internéticos. Ou senão, ainda é possível viajar, por o pé na estrada, procurar as pessoas, sentar e ouvir. Os intérpretes podem e devem ser aventureiros, arqueólogos do eldorado subterrâneo da canção a descobrir que a pobre MPB é rica de marré deci. 


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O debate desencadeado pela entrevista da Mônica Salmaso tem rendido até mais do que era provável, e pensei que seria válido ir compilando aqui algumas das principais observações e posições que vão aparecendo, e que irão sendo somadas pelos comentários que os leitores começam a deixar no blog. Muitas sublinham questões para as quais não atentei ou eventualmente trazem pontos de vista diversos do meu. Como em outras ocasiões, considero o blog uma forma de agrupar material documental e dar espaço à troca de ideias. Começo com trechos de um texto que o violonista, compositor, intérprete e arranjador Sérgio Santos [quem quiser pode conhecer aqui seus brilhantes trabalhos] publicou no facebook [completo, aqui], que ele gentilmente me autorizou a publicar, pelo que agradeço muito. Se ele foi interpelado sobre o assunto é porque, além de seu reconhecido mérito como músico, mostra-se um comentarista arguto, que realiza uma crítica cultural de muita propriedade, que percebo ser uma referência para quem atua e pensa na música popular brasileira.

Sérgio Santos:
"A entrevista de Mônica Salmaso essa semana no O Globo tem gerado uma série de posts e comentários aqui. Fui citado em vários, e por isso, além de ver importância no assunto, me sinto confortável para comentá-lo. Conheço Mônica desde a época dessa foto. Pelos meus cabelos pretos dá pra ver que tem tempo. Sei que ela ama o que eu faço, assim como eu amo o que ela faz. Mas ela nunca me gravou em seus discos. E isso nunca me aborreceu ou frustrou minimamente, porque sei como ela raciocina em seus trabalhos, sei como ela pensa a música. [...] Em primeiríssimo lugar, é preciso que se diga que o fato principal da entrevista, o assunto que a gerou, é o lançamento de um trabalho magnífico. Não se trata de Guinga e de Paulinho isoladamente, mas de uma obra conjunta que estaria (por razões inúmeras que não se cabe discutir) irremediavelmente condenada ao desconhecimento, ao limbo musical eterno, caso Mônica quando a descobriu não tivesse batalhado por lhe trazer à luz. Isso é um fato, não cabe discussão. Tive o privilégio de conhecer a totalidade dessa obra há muitos anos (das gravações da Mônica só conheço as 4 que ela publicou), e não tenho a menor dúvida de que essa obra dos dois compositores é DAS MAIS IMPORTANTES E FUNDAMENTAIS DA MÚSICA BRASILEIRA RECENTE!!! Ela faz parte do que melhor produzimos em música popular!!! Esse é o fato principal!!!! E parece que ninguém se ateve a ele suficientemente, antes de criticar a cantora que a desenterrou. Acaso alguém que concluiu da entrevista de Mônica que ela desconhece a melhor música que fazemos, já ouviu essa obra? Não uma música ou outra, mas essa obra? Duvido muitíssimo que a maioria a conheça, já que ela não era acessível!! Aí temos uma cantora que descobre esse repertório oculto, que se move até ele, que enfrenta os não poucos meandros que envolvem gravá-la, que a torna acessível, e essa mesma cantora é criticada por… desconhecer a melhor música brasileira!!! Ainda que ela tivesse sido infeliz na sua declaração, E NÃO FOI, acaso não seria esse assunto principal que a materia traz, relevante o suficiente para ilustrar o fato de que trata-se de alguém que suou e muito a camisa, exatamente para mostrar a melhor música que produzimos???? Não estaria suficientemente claro, então, a qual música Mônica se refere??

Ah, muitos dirão, mas é fácil graver Guinga e PCP, que já estão estabelecidos! Queria vê-la gravando artistas realmente novos, pouco conhecidos! Há até quem tenha feito listas deles, que deveriam ter sido citados na entrevista, para mostrar a Mônica que ela desconhece tanta novidade, que está presa ao passado, etc. E aí, dá-lhe citações e listas, e em muitas delas lá estava eu incluído! Perdão mas NUNCA considerei a criatividade uma questão geracional. Fazer música criativamente não é uma atribuição exclusiva para jovens nem para velhos. Nem para iniciantes nem para consagrados. Há setentões consagrados fazendo discos maravilhosos recentemente. Assim como uma pilha de discos lindos que ouço SEMPRE de um monte de iniciantes talentosíssimos, todos desconhecidos do grande público (não me crucifiquem por não citá-los!!). E daí? Da mesma forma há um monte de discos de artistas iniciantes sofríveis, POBRES de assunto, de letra, de melodia, de harmonia, de arranjo. Assim como também fazem um monte de consagrados!! Repito: e daí? O universo que Mônica se insere, não distingue geração entre os criadores!!! Ah, dirão, mas ela deveria ter dito que essa música fantástica existe! Perdão, mas realizar vale menos que falar da existência?? Tenho certeza que a realização de um trabalho como o que ela agora lança, fala muito mais e vai favorecer muito mais a minha música e a música de quem esteve citado em tantas listas, do que se ela tivesse desfiado um rosário de citações.

O principal a se ver nessa polêmica é reconhecer que a música brasileira não poderia passar incólume a anos e anos de bombardeamento constante de lixo descartável. Isso não pode ter acontecido sistematicamente sem deixar marcas no comportamento do público, na sua capacidade de discernimento, na nossa forma de olhar para a nossa história cultural e musical, NA NOSSA CRIAÇÃO!!! Edu Lobo tinha 17 anos quando fez Ponteio. Por ele ser um gênio? Também! Mas por viver em um ambiente cultural com as referências necessárias para realizar o que realizou. É preciso uma miopia grave para não entender que essas referências, não apenas na música, mas na cultura em geral, não apenas no Brasil, mas no mundo, empobreceram sistematicamente. E é isso que faz com que todos que pensamos criativamente nos sintamos estranhos no ninho!! E essa falta de referências culturais, que foram substituídas pelo marketing, pelo peso da mídia e pelo lixo industrial, pesaram negativamente para o geral da criação artística no mundo todo, em todas as artes!! É a esse empobrecimento que Mônica se referiu. E ISSO NÃO MUDA PELO FATO DE HAVER UMA LEGIÃO OCULTA DE SOBREVIVENTES DESSE DILÚVIO DE MEDIOCRIDADE!!! Legião essa que luto dia após dia para fazer parte dela. E é preciso se ter muito claro que a chamada música independente, está apinhada, repleta, entupida, dessa mesma pobreza criativa que não é exclusividade do “mainstream”. Ela se espalha exatamente pela capacidade de divulgação e pelo espaço desproporcional que ocupa. Crer que a "independência" e a onipotência da internet garante a isenção estética, na minha modesta opinião é um grave erro, e bastante generalizado.

Fiz um post há alguns dias dizendo dessa mesma coisa, do meu cansaço e do desgaste que é enfrentar essa realidade POBRE diariamente!! Alguém acha rico o contexto que nos inserimos? Alguém acha instigante se mover no sistema geral desse mundinho ridículo de editais aos quais temos que nos submeter? Alguém é capaz de dizer que há riqueza nas possibilidades a que nossa profissão foi relegada? Principalmente, alguém é capaz de achar que isso não influencia esteticamente naquilo que se cria?? Nesse post, curiosamente ninguém me criticou. Pelo contrário! Talvez o tenham feito com Mônica pelo lugar que ela vem ocupando, e ocupa com a maior das justiças. De mim pelo menos não poderão dizer que sou “divo”, que estou na mídia, etc. Espero que não, que me rebatam com argumentos!! Pra terminar, tenho a maior das certezas de que TODOS os envolvidos nessa discussão JOGAM EXATAMENTE NO MESMO TIME!!! Talvez seja oportuno calibrar melhor a mira!!!"







Na estante no fim das férias



Nestas férias que se encerraram pra mim ontem andei lendo alguma coisa, não tanto quanto gostaria. Mas o bastante para dar uma relaxada e ao mesmo tempo apreciar por ângulos distintos um pouco da história da música popular. Curiosamente, um ponto em comum dessas leituras foi a possibilidade de realizá-las de forma simultânea e não-linear. É bom dar essa modificada na experiência de leitura, até porque muitas vezes ao longo do semestre a conversão do livro em ferramenta de trabalho às vezes deixa pouco espaço para investidas mais lúdicas no ato de ler. Foi assim que me lancei sobre três livros que retém justamente essa propriedade, ao menos para mim, de serem degustados "fora da ordem", em pequenos nacos ou grandes pedaços, em breves pausas para o "café" ou longos "banquetes". O primeiro é Para seguir minha jornada, de Regina Zappa (editora Nova Fronteira), jornalista já escolada em esquadrinhar a vida e a carreira de Chico Buarque. Na verdade nesse sentido o livro não trás novidade para quem já leu uma ou mais biografias canônicas - inclusive da mesma autora - digamos assim, desse caro amigo Francisco. O diferencial é a parte gráfica, desde a composição às reproduções de fotografias e documentos, explorando bem o farto material digitalizado recentemente pelo Instituto Tom Jobim. Isso torna o livro bom de folhear, e às vezes me peguei lendo as reproduções das matérias de revistas, entrevistas, quase como se estivesse no próprio arquivo, algumas vezes até saltando as partes do texto que eram redundantes em relação ao material. Um livro para ser "lambido" com os olhos. Seguindo a linha biográfica, mas para ser exato, autobiográfica, adentro o indispensável Antologia (Cosac Naify), histórica e bem acabada publicação que faz parte do projeto que cuidou de dar voz ao próprios Beatles (devidamente acompanhados pelas rememorações de pessoas próximas como George Martin, Derek Taylor e Neil Aspinal). Mesmo para um beatlemaníaco incurável e mais que familiarizado com todas aquelas histórias, exaustivamente assistidas e lidas por aí na vida, acaba sendo diferente ter e manter essa preciosidade ao alcance dos olhos a qualquer momento. Além de ser farta e belamente ilustrado com fotos e material de arquivo, o grande trunfo do livro são os depoimentos dos Beatles (os de Lennon foram retirados de diferentes fontes e os dos outros 3 recolhidos durante o projeto), não apenas pela ênfase perspectiva deles, mas porque são arranjados de forma que podemos lê-los como variações sobre um mesmo episódio, revelando a particularidade de cada um mas também os pontos comuns, permitindo que o leitor obtenha um grande painel sobre os 4 inseridos naqueles anos incríveis e conturbados. E por fim 1973: o ano que reinventou a MPB (Sonora editora), competentemente organizado por Célio Albuquerque, radiografia de múltiplas vertentes para uma coleção respeitável do que de melhor se fez em disco na música popular brasileira naquele ano. O leque é grande. Vou lendo ainda, começando num disco que me dá na telha, correndo pra ver aqueles pelos quais tenho apreço particular, mas também me deparando com os que não conhecia ou tinha pouca noção. Os enfoques diversos da profusão de autores convidados, entre músicos, críticos, jornalistas, produtores, estudiosos e amantes (alguns respondem por várias dessas categorias), dão o tom do livro, o que permite ao leitor ganhar sensível intimidade com a obra escrutinada em cada texto. De quebra, um quadro abrangente do cenário musical e também do país no ano em questão emerge aos poucos, em camadas de tinta e pinceladas de diferentes estilos. Isso dá ao livro uma coerência que não é possível ter em coletâneas / compilações de listas e análises de discos tradicionais, que costumam abarcar recortes temporais livres e amplos demais. Essa qualidade torna mais clara a importância do patrimônio cultural representado por nossa música popular, ao mesmo tempo que dá a medida de como funcionam os mecanismos da memória e os jogos da consagração cultural, deixando as escolhas de então em contraste com a posteridade e os caminhos percorridos pelas obras após terem soado no mundo. Cada texto traz ao final uma completa ficha técnica do disco, agregando mais informação ao conteúdo que já é bom. A lamentar, provavelmente por questão de custos, que as artes das capas não tenha recebido maior destaque ou impressão colorida. Um pequeno reparo, o único até agora em relação a créditos, é que a autoria correta de Feira Moderna (canção mencionada en passant no texto que aborda Matança do porco do Som Imaginário) inclui Lô Borges, além dos ali creditados Beto Guedes e Fernando Brant.




21 de julho de 2014

Na estante: um penca de títulos em inglês sobre música popular

Quando comecei esse blog pensava nas utilidades acadêmicas que poderia ter. De início acabei concentrando esse lado na divulgação de textos de minha própria autoria, e aqui e ali, divulguei eventos, periódicos, um ou outro curso e trabalhos relacionados a disciplinas que lecionei. Em meio a uma ou duas reflexões sobre pesquisa, apareceram por aqui referências a fontes de pesquisa, projetos de digitalização de documentação ou acervos em suas instituições de guarda, que eventualmente podem auxiliar outros investigadores. Criei depois a coluna "Na estante", com resenhas e comentários a respeito de leituras que ia fazendo, mas não consigo mantê-la na regularidade que gostaria. Enfim, vou levando o blog no meu tempo livre e uma das ideias que já tinha era publicar listas de referências bibliográficas. Hoje acabou aparecendo essa pra mim no facebook e pensei que seria uma boa compartilhá-la aqui, mesmo estando toda em inglês [completa, aqui]. Há uma grande variedade de títulos, com diferentes objetos, de tecnologias a gêneros musicais, recortes temporais, delimitações espaciais, questões de gênero, étnicas, sociais, culturais, que, numa primeira e geral apreciação, expressão bem a perspectiva plural que é marca dos estudos culturais tão forte na literatura anglo-saxônica, com evidente influência nos estudos sobre música popular. Vale uma sapeada!

P.S. O repositório acadêmico BiblioVault merece uma conferida por pesquisadores que estudam outros assuntos também.



17 de julho de 2014

Poucas mulheres foram modernas como a Nina Simone

Acabo de ler a entrevista de Lisa Simone Kelly, filha da Nina Simone, publicada no jornal britânico Dailymail [completa, aqui]. Na página oficial de Nina no facebook foi publicado um texto, que, em síntese, coloca bons pingos nos "i"s ao avaliar o relato de Lisa, em essência um depoimento franco que não se propõe a encobrir ou glorificar, e sim dar conta de quem, na perspectiva da filha, foi a mãe, em sua condição humana. 

Lisa "Simone Kelly" is not dragging her mother's name "through the mud," as some people have been saying about this interview. Anyone who knows a lick about Nina Simone already knew these things about her. She could be difficult at times, downright abusive at others. Those closest to her for many years have all spoken out about her volatile nature. Hell, the woman was found guilty of firing a gun to frighten some neighbor boys she thought were being too rambunctious. Nina's short temper is not news, nor is it shocking or surprising to anyone who is familiar with her life and career. While Lisa's words might be jarring, they are her truth and one can only imagine what it was (and is) like being the daughter of Nina Simone, good or bad. Knowing Lisa personally, I can say without any doubt in my mind that she is not consumed with bitterness or hate for her mother. Quite the opposite. She has spent years trying to work through her conflicted feelings so that she may heal and be a better, stronger mother for her own daughter. Lisa spent the better part of ten years fighting for her mother's legacy and to keep her estate intact and on the right path. She neglected her own career in doing so and I was able to see how the politics and legal BS of the music industry wore her down -- so one can only imagine what it did for Nina, who herself was vocal about how the music industry can so easily exploit, abuse, and practically rob people -- especially a strong, talented, black woman. There is a lot of tragicness in the Nina Simone story and in the relationship between Lisa and her mother, but it isn't wholly defined by tragicness either. You are reading the words of a woman who is struggling to heal, understand, and remember her mother in an honest way that does not glorify her because of her fame and talent. Nina would be proud of her daughter. - Aaron Overfield

Lendo isso me lembrei de uma passagem de Aventuras no marxismo de Marshall Berman, quando ouviu no metrô de Nova York uma mãe negra conversando com sua jovem filha sobre os percalços da vida, e encerrando com a frase mais ou menos assim "podemos fazer isso dar certo, nós somos modernas". Poucas mulheres foram modernas como a Nina Simone. O relato duro e tocante de sua filha faz jus a isso.

Deixo vocês com a belíssima apresentação dessa grande artista no Festival de Montreux:

2 de julho de 2014

Em terra de Macalé

Por meio de um instigante relato do amigo cantautor ativíssimo na cena belorizontina Luiz Gabriel Lopes fiquei sabendo da exposição Macalândia na sede do Itaú Cultural, em São Paulo. Na impossibilidade de conferi-la in loco e na iminência de seu encerramento, recolhi aqui algum material para dar uma amostra e quem sabe motivar alguns leitores que são/estão na terra da garoa a conferi-la.
Do site:
"Por meio da série Ocupação, o Itaú Cultural mergulha na vida, na obra e no processo criativo de artistas contemporâneos ligados a diversas áreas de expressão, homenageando e destacando a importância de suas trajetórias. E é no universo – lírico, lúdico, épico, político – do músico Jards Macalé que o programa faz o seu 18º mergulho. Além de ocupar a sede do instituto com uma exposição sobre o instrumentista, compositor e intérprete carioca, o projeto se estende para a internet (...)" [confira, aqui]

 
Do catálogo: Versão digital [confira, aqui]

Um breve relato: no site Follow the Collors, aqui